PARACOCCIDIOIDOMICOSE
ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS
Micose sistêmica, geralmente com sintomatologia cutânea importante, grave, que, na forma crônica, é conhecida como “tipo adulto” e, na forma aguda ou subaguda, como “tipo juvenil”. A primeira caracteriza-se por comprometimento pulmonar, lesões ulceradas de pele, mucosas (oral, nasal, gastrintestinal), linfoadeno-patia. Na forma disseminada, pode acometer todas as vísceras, freqüentemente afetando a supra-renal. A forma disseminada é rara e, quando ocorre, compromete o sistema fagocítico-mononuclear, que leva à disfunção da medula óssea. Na cavidade oral, evidencia-se uma estomatite, com pontilhado hemorrágico fino, conhecida como “estomatite moriforme de Aguiar-Pupo”. A classificação, a seguir, apresenta a interação entre o Paracoccidiodes brasiliensis e o homem, que resulta em simples infecção ou em doença, bem como as formas clínicas da Paracoccidioidomicose.

Infecção paracoccidióidica - Infecção do indivíduo pelo fungo sem presença de doença clinicamente manifesta.

Paracoccidioidomicose (doença) - Manifestações clínicas relacionadas a um ou mais órgãos, dependentes das lesões fúngicas em atividade ou de suas seqüelas.

Forma regressiva - Doença benigna, com manifestações clínicas discretas, em geral pulmona-res. Apresenta regressão espontânea, independente de tratamento.

Forma progressiva - Ocorre comprometimento de um ou mais órgãos, podendo evoluir para óbito, caso não seja tratada de maneira adequada. É dividida nas formas aguda e crônica, de acordo com a idade, duração e manifestações clínicas.

Forma aguda/subaguda, tipo infanto-juvenil ou juvenil – Representa a minoria dos casos (em geral, menos de 10%), podendo chegar a 50% em algumas regiões do Brasil, principalmente em áreas de colonização mais recentes submetidas a desmatamento. Acomete igualmente ambos os sexos até a puberdade, com ligeiro predomínio do sexo masculino após essa fase até os 30 anos. Os sítios orgânicos mais freqüentemente atingidos são linfonodos superficiais (mais de 90% dos casos, podendo supurar e fistulizar), fígado, baço, pele, ossos, articulações. Geralmente, surgem massas abdominais decorrentes da fusão de linfonodos mesentéricos, podendo levar a quadros diversos, como de oclusão ou semi-oclusão intestinal, síndrome disabsortiva, dentre outras.

Forma crônica, tipo adulto - Representa cerca de 90% dos casos em várias regiões do Brasil. Predomina em indivíduos do sexo masculino acima dos 30 anos, trabalhador ou ex-trabalhador rural. As manifestações mais comuns são sinais e sintomas respiratórios, tosse produtiva com expectoração mucopurulenta. Nesses casos, muitas vezes estão associados sinais e sintomas extrapulmonares marcantes, como lesões mucocutâneas, disfagia, rouquidão, emagrecimento importante, síndrome de Addison. O paciente pode apresentar manifestações resultantes da fibrose cicatricial posterior ao tratamento – seqüelas, tais como estenose de traquéia, síndrome disabsortiva, insuficiência de supra-renal.

Outras formas - São esporádicas e podem ter apresentação clínica extremamente pleomórfica, com lesões variadas, isoladas ou múltiplas. Merecem atenção as taxas crescentes de comprometimento do sistema nervoso central, que, às vezes, leva ao acometimento das funções vitais.

Sinonímia - Antigamente conhecida como blastomicose sul-americana ou moléstia de Lutz-Splendore e Almeida.

Etiologia - Fungo dimórfico denominado P. brasiliensis.

Reservatório - Solo contaminado com o agente.

Modo de transmissão - Por inalação do fungo. Contaminação por meio de ferimentos cutâne-os e mucosas é extremamente rara.

Período de incubação - De 1 mês a anos.

Período de transmissibilidade - Não há caso descrito de transmissão pessoa a pessoa.

Complicações - Podem ser decorrentes de co-morbidades, como no caso de co-infecção com HIV e tuberculose. Os quadros, quando associados a essas infecções, tendem a ser mais graves. Outras complicações, como insuficiência supra-renal e insuficiência respiratória, muitas vezes, são decorrentes de seqüelas, como descrito anteriormente.

Diagnóstico - Clínico e laboratorial. Esse último é feito com o achado do parasita, que se apresenta como células arredondadas, de dupla parede, birrefringente, com ou sem gemulação. Quando há gemulação múltipla, o parasita toma aspecto de “roda de leme”. Provas sorológicas, como a imunodifusão em gel e histopatologia, são também empregadas.

Diagnóstico diferencial - Com as outras micoses sistêmicas que compõem a síndrome verrucosa (tuberculose, esporotricose, histoplasmose em imunodeprimidos, leishmaniose tegumentar americana, cromomicose) e sífilis. Nas formas linfáticas, deve-se diferenciar do linfoma de Hodgkin, tuberculose ganglionar e outras neoplasias.