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TRACOMA
ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS
É uma ceratoconjuntivite crônica recidivante, afecção inflamatória ocular de começo insidioso ou súbito, que pode persistir durante anos se não tratada. Em áreas hiperendêmicas, em decorrência de infecções repetidas, produz cicatrizes na conjuntiva palpebral superior. No início, o paciente pode apresentar fotofobia, blefaropasmo, lacrimejamento e sensação de “areia nos olhos”, com ou sem secreção. Evolui para hipertrofia papilar como conseqüência da presença de folículos e inflamação difusa da mucosa, principalmente da conjuntiva tarsal, que cobre a pálpebra superior. Essa inflamação crônica resulta em cicatrizes que evoluem para deformidades palpebrais e dos cílios (entrópio e triquíase) que, por sua vez, determinam a abrasão crônica da córnea com diminuição progressiva da visão. Caso não sejam tratadas, evoluem até a cegueira. As infecções bacterianas secundárias são freqüentes e as secreções que se formam contribuem para aumentar a transmissibilidade da doença.

Sinonímia - Conjuntivite granulomatosa.

Agente etiológico - Chlamydia trachomatis, uma bactéria gram-negativa, das sorovariedades A, B, Ba e C.

Reservatório - O homem, com infecção ativa na conjuntiva ou outras mucosas.

Modo de transmissão - Contato direto, pessoa a pessoa, ou contato indireto, por meio de objetos contaminados (toalhas, lenços, fronhas). As moscas podem contribuir para a disseminação da doença, por transporte mecânico.

Período de incubação - De 5 a 12 dias.

Período de transmissibilidade - Enquanto existirem lesões ativas nas conjuntivas, que podem durar anos.

Complicações - Entrópio (inversão da borda da pálpebra na direção da córnea) e triquíase (cílios em posição defeituosa nas margens das pálpebras, tocando o globo ocular), ulcerações de córnea, astigmatismo irregular, ptose palpebral, xerose e cegueira.

Diagnóstico - Essencialmente clínico-epidemiológico. O exame ocular deve ser feito por meio de lupa binocular, com 2,5 vezes de aumento. Na presença de sinais oculares característicos, é importante saber a procedência do paciente para se fazer o vínculo epidemiológico. O diagnóstico laboratorial do Tracoma é utilizado para a constatação do agente etiológico na comunidade e não tem objetivos de confirmação de casos, no nível individual. A técnica laboratorial padrão é a cultura, não sendo utilizada de rotina. Atualmente, tem-se utilizado a imunofuorescência direta com anticorpos monoclonais, que apresenta alta especificidade e baixa sensibilidade, disponível nos laboratórios da rede pública.

Diagnóstico diferencial - Com as conjuntivites foliculares agudas ou crônicas de qualquer etiologia, por exemplo: adenovírus, herpes simples, conjuntivite de inclusão do adulto, molusco contagioso, dentre outras.
TRACOMA
TRATAMENTO 
O tratamento deve ser realizado nas formas inflamatórias do Tracoma - Tracoma Infamatório Folicular/ TF e Tracoma Inflamatório Intenso/ TI - e consiste na administração de antibióticos de uso local/tópico ou uso sistêmico.


Tratamento tópico - Pomadas de Tetraciclina a 1% , 2 vezes ao dia, durante seis semanas consecutivas. Na ausência ou hipersensibilidade à pomada de Tetraciclina, recomenda-se o uso de colírio de sulfa, 4 vezes ao dia, durante 6 semanas.

Tratamento sistêmico - Antibióticos de uso oral.

- Azitromicina: dose única oral.
. Azitromicina suspensão: 20mg por kg de peso (pessoas com até 45Kg);
. Azitromicina comprimido de 500mg: administrar 1g (2 comprimidos) para pessoas com peso acima de 45kg.

Tratamento em massa - A Organização Mundial de Saúde recomenda o tratamento em massa de toda a população com Azitromicina, durante 3 anos consecutivos, quando as taxas de prevalência do Tracoma Inflamatório (TF/TI) em crianças de 1 a 10 anos de idade for igual ou maior que 10%, em uma localidade/distrito/comunidade.

Controle do tratamento - Todos os casos que receberam tratamento com Azitromicina devem ser reavaliados 6 meses e 12 meses após o início do tratamento.

Alta clínica - Deve ser dada 6 meses após o início do tratamento, quando, ao exame ocular externo, não mais persistem os sinais clínicos do tracoma inflamatório.

Alta por cura - Deve ser dada 12 meses após o início do tratamento, quando, ao exame ocular externo, não mais persistem os sinais clínicos do Tracoma Inflamatório. Nesse caso, o paciente sai da lista de registro anual de casos. Em caso de persistência dos sinais clínicos aos 6 e/ou aos 12 meses, deve ser reiniciado o tratamento.

Outros antibióticos - uso oral:

- Eritromicina: 250mg, 4 vezes ao dia, durante 3 semanas (50mg/kg/dia);
- Tetraciclina: 250mg, 4 vezes ao dia, durante 3 semanas, em maiores de 10 anos;
- Doxaciclina e Sulfa: podem ser utilizados no tratamento sistêmico do Tracoma.

Os casos de entrópio palpebral e triquíase tracomatosa devem ser encaminhados para avaliação e cirurgia corretiva das pálpebras. Todos os casos de opacidade corneana devem ser encaminhados a um serviço de referência oftalmológica, para medida de acuidade visual.
CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS
Apesar da acentuada diminuição da ocorrência do Tracoma nas últimas décadas, o agravo persiste acometendo especialmente populações carentes de todas as regiões do país, inclusive nas grandes metrópoles. O Tracoma é a principal causa infecciosa de cegueira evitável.
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MEDIDAS DE CONTROLE
Relativas à fonte de infecção - Diagnóstico e tratamento individual e em massa, quando indicado; busca ativa de casos nas escolas, casas e, principalmente, na família, a partir de um caso-índice, visando tratamento e conscientização da população. Investigação epidemiológica de casos, prioritariamente em instituições educacionais e/ou assistenciais, e domicílios que constituem locais de maior probabilidade de transmissão da doença.

Educação em saúde - Planejar ações educativas. Buscar apoio dos meios de comunicação de massa, como forma de divulgação e prevenção da doença, especialmente quanto à lavagem sistemática do rosto. Orientar quanto ao uso correto da medicação, observação dos prazos de tratamento e comparecimento às consultas clínicas subseqüentes.

Articulação intersetorial - Desenvolver medidas de melhoria de habitação, saneamento básico e ampliação de acesso ao abastecimento de água.