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FEBRE PURPÚRICA BRASILEIRA (FPB)
ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS
Doença infecciosa aguda que acomete crianças após conjuntivite, com manifestações que seguem certa cronologia, em curto espaço de tempo: inicia com febre alta (acima de 38,5ºC), taquicardia, erupção cutânea macular difusa, tipo petéquias, púrpuras e outras manifestações hemorrágicas, e hipotensão sistólica. Aparecem, também, náuseas, vômitos, dor abdominal, enterorragias e diarréia, bem como mialgias e sinais de insuficiência renal (oligúria e anúria). Ocorrem plaquetopenia, leucopenia com linfocitose ou leucocitose com linfocitopenia. Observa-se agitação, sonolência, cefaléia e convulsão. A cianose e taquidispnéia, conseqüente à acidose, fazem parte da progressão da doença. Essa enfermidade, em geral, evolui de 1 a 3 dias, ou seja, é um grave quadro fulminante, cuja letalidade varia de 40% a 90%. Acomete, principalmente, crianças na faixa etária entre 2 meses e 14 anos de idade. A natureza fulminante da FPB deve estar associada à liberação de toxinas pela bactéria.

Sinonímia - FPB. A conjuntivite que precede a FPB, também, é conhecida como conjuntivite bacteriana e olho roxo.

Agente etiológico - Haemophilus influenzae, biogrupo aegyptius. Bactéria gram-negativa sob a forma de bacilos finos e retos.

Reservatório - O homem, que também é a fonte de infecção (pessoas com conjuntivite pelo agente).

Modo de transmissão - Contato direto pessoa a pessoa que esteja com conjuntivite; ou indireto, por intermediação mecânica (insetos, toalhas, mãos).

Período de incubação - O intervalo de tempo entre o início da conjuntivite e a febre é, em média, de 7 a 16 dias (variando de 1 a 60 dias).

Período de transmissibilidade - Possivelmente, enquanto durar a conjuntivite.

Complicações - Choque séptico, com coagulação intravascular disseminada (CIVD), gangrenas com ou sem mutilações.

Diagnóstico - Clínico-epidemiológico e laboratorial. Esse último é feito por meio dos exames:
Específicos - Cultura de sangue, material da conjuntiva, do líquor e de raspado de lesão de pele. Reação de contra-imunoeletroforese do soro e do líquor;

Inespecíficos - Hemograma, coagulograma, provas de função renal, gasometria.

Diagnóstico diferencial - Meningococcemia, septicemias por gram-negativos, dengue hemorrágico, febre maculosa, tifo exantemático, febre hemorrágica argentina e boliviana e outras febres hemorrágicas.
FEBRE PURPÚRICA BRASILEIRA (FPB)
TRATAMENTO
Ampicilina, 200mg/kg/dia, 6/6 horas, IV, ou Amoxicilina, 50mg/kg/dia, 8/8 horas, VO, por 7 dias, associada ou não ao Cloranfenicol, 100mg/kg/dia, IV, 6/6 horas, por 7 dias. O paciente deve ser internado com todos os cuidados de suporte e, se desenvolver CIVD, usar hidrocortisona. Em caso de choque séptico, internar em unidade de terapia intensiva e não usar hidrocortisona. Ver tratamento das conjuntivites, no item Medidas de Controle, adiante.
CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS 
Doença descrita pela primeira vez em 1984, no município de Promissão, em São Paulo, onde ocorreram 10 óbitos com quadro semelhante à meningococcemia. Concomitantemente, observou-se quadro semelhante em Londrina, com 13 casos e 7 óbitos, e outros em cidades próximas à Promissão. Até o momento, há registro desta enfermidade em mais de 15 municípios de São Paulo, em áreas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os únicos casos descritos fora do Brasil ocorreram em novembro de 1986, na região central da Austrália (Alice-Springs). O agente etiológico foi isolado do sangue de casos clínicos em 1986. Anteriormente, esse agente nunca havia sido associado à doença invasiva, até o aparecimento da FPB.
FEBRE PURPÚRICA BRASILEIRA (FPB)
MEDIDAS DE CONTROLE
Nas áreas de ocorrência desta doença, acompanhar os casos de conjuntivite e, em caso de surto, notificar os casos suspeitos da FPB. Quando se observar número de casos de conjuntivite superior ao do mês anterior, iniciar a coleta de secreção de conjuntivas de pacientes acometidos (pelo menos 20) para diagnóstico do agente (Laboratório de Referência) e realização dos exames. É ideal manter a área sob vigilância por até 60 dias após a não ocorrência de casos. O tratamento das conjuntivites é feito com colírio de cloranfenicol a 0,5% (1 gota em cada olho, de 3/3 horas, durante 7 dias). Quando for constatado o diagnóstico da conjuntivite pela cepa invasora do H. aegyptius, administrar Rifampicina, na dose de 20mg/kg/dia, durante 4 dias (tomada única), e repetir a cultura da secreção após o término do tratamento. Acompanhar o paciente até negativação da cultura. Não há indicação para isolamento dos casos FPB. A aglomeração favorece a transmissão da conjuntivite. Incentivar medidas de higiene das mãos, com cuidados especiais para materiais contaminados com secreção conjuntival, principalmente nas situações de risco de ocorrência da enfermidade.